segunda-feira, 14 de abril de 2008

LITROS DE LUZ


Cada litro que se poupa ajuda a produzir energia - nas hidrelétricas e na engenhoca do mecânico Alfredo Moser. Em 2002, em pleno apagão, o mecânico de Uberaba - MG percebeu que poderia escapar do breu pendurando no telhado de casa garrafas plásticas cheias de água.
"É uma garrafa PET de dois litros, com água limpa, e duas tampinhas de água sanitária e um potinho de filme de máquina fotográfica para proteger do sol, para não estragar a tampa", ensina seu Alfredo.
O engenheiro elétrico Clivenor de Araújo Filho mediu a intensidade de luz de cada garrafa. "Essa luminosidade equivale a uma lâmpada entre 40 e 60 watts", constata.
A idéia luminosa de seu Alfredo se espalhou pela vizinhança. A dona de casa Geralda Monteiro de Melo tratou logo de instalar as tais lâmpadas de água em casa, até no banheiro.
"O banheiro era incrível de escuro e agora está claro. Ela não tem desvantagem nenhuma. Funciona quando chove, não tem goteira", garante dona Geralda.
Aprovação também na oficina do torneiro mecânico José Marcos de Castro. A conta de luz baixou. As lâmpadas estão lá há dois anos e sem nenhuma manutenção. "É só deixar lá. Quando eu chego de manhã, já estão ligadas. À noite, desligam automaticamente", diz.
A imagem é curiosa: bicos de garrafas para fora dos telhados no bairro todo.
Sem janelas e com o orçamento apertado, a dona de casa Lídia Arapongas também fez furos no teto para sair da penumbra. "É ótimo", elogia.
Idéias simples como essas podem ajudar o planeta, mas precisam ser postas em prática com a urgência que a natureza agora impõe. Rafael e seus colegas de escola, seu Jairo e seu Alfredo já começaram a cuidar do futuro.

http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-17305-3-283127,00.html 

Ainda mais interessante que os "Litros de Luz" são os LED's (sigla em inglês para diodo Emissor de Luz), pois eles possuem a capacidade de armazenar energia solar, o que os "Litros de Luz" não possuem.
Veja mais na minha postagem no link:
http://aguanova.blogspot.com/2011/02/sun-jar-luminaria-solar.html

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ENTRA EM VIGOR RESOLUÇÃO CONAMA SOBRE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS



Revista Digital de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Edição de: 08/04/2008 - 12h04
Por Redação do MMA


O Diário Oficial desta segunda-feira (7) publicou a Resolução nº 396, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências. Com a legislação, as águas subterrâneas, assim como já acontece com as águas de superfície, passam a ser classificadas de acordo com suas características hidrogeoquímicas naturais e seus níveis de poluição. A classificação visa, entre outros fins, prevenir e controlar a poluição e promover a proteção da qualidade das águas subterrâneas que, uma vez contaminadas, demandam processos lentos e onerosos para recuperação. O maior exemplo de água subterrânea são os aqüíferos, formações hidrogeológicas que armazenam e transmitem grandes quantidades de água. Um dos mais importantes aqüíferos do mundo é o Guarani, que passa pelos territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele possui uma área estimada em 1,2 milhão de quilômetros quadrados e abriga um volume estimado de 45 mil quilômetros cúbicos de água.

De acordo com suas características hidrogeoquímicas naturais e os efeitos das ações antrópicas sobre sua qualidade, as águas subterrâneas serão enquadradas em classes de 1 a 5, além da "classe especial", reservada aos aqüíferos destinados à preservação de ecossistemas em unidades de conservação de proteção integral ou que alimentem corpos d'água superficiais também classificados como "especiais".

Para garantir a qualidade da água dentro de sua classificação, os órgãos ambientais devem promover implementação de Áreas de Proteção de Aqüíferos e Perímetros de Proteção de Poços de Abastecimento. A resolução também prevê a criação de Áreas de Restrição e Controle do Uso da Água Subterrânea, a serem implementadas em caráter excepcional e temporário quando a captação em determinados corpos de água representar risco para a saúde humana, para ecossistemas ou para os próprios aqüíferos.

A classificação foi determinada por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)na sua 89ª Reunião Extraordinária, realizada nos dias 11 e 12 de março, na sede do Ibama, em Brasília.

Fonte: http://envolverde.ig.com.br/?edt=10

sexta-feira, 4 de abril de 2008

COMA MENOS CARNE VERMELHA

A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Não é piada. Você já sentiu aquele cheiro pavoroso quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? Pois é: É metano, um gás inflamável, poluente, e mega fedorento. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para você ter uma idéia: Para produzir 1 Kg de carne vermelha são necessários 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango consome só 10 litros.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Águas de Março

De Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mao, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é; uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguicado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Histórico dos Recursos Hídricos


O Histórico dos Recursos Hídricos revela um contexto que permite as pessoas conhecerem os eventos voltados a sustentabilidade da Água, destacando seus principais documentos resultantes deste processo, inserindo-se assim na onda civilizatória da sustentabilidade. Este histórico aborda três níveis de referência:
  • internacional;
  • nacional; e
  • local (estadual e municipal),
revelando as relações da sociedade humana com a natureza.

INTERNACIONAL

Ano: 1960
Evento: Clube de Roma - Roma / Itália.
Destaque: Primeira discussão internacional sobre a adoção de políticas envolvendo aspectos ambientais. Os critérios de uso dos recursos hídricos superficiais que, até então, eram utilizados sem nenhum tipo de regra, foram avaliados.

Ano: março de 1977
Evento: Conferência das Nações Unidas sobre as Águas - Mar Del Plata/ Uruguai.
Destaque: A Conferência das Nações Unidas sobre Água, lançou as bases para a tomada de posição da comunidade internacional em relação aos recursos hídricos, pela crescente poluição e por sua escassez em face do crescimento insustentável.

Ano: janeiro de 1992
Evento: Conferência de Dublin / Irlanda.
Destaque: - Preparatória à Conferência do Rio de Janeiro, a Conferência de Dublin sobre Água e Meio Ambiente, propôs, além do princípio de gestão integrada dos recursos hídricos, o reconhecimento do papel da mulher na gestão das águas, sua valoração econômica e os usos múltiplos da água, bem como, a gestão participativa, envolvendo os usuários, planejadores e políticos em todos os níveis.

Ano: junho de 1992
Evento: Rio' 92 - Rio de Janeiro / Brasil.
Destaque: Foi adotada a Agenda 21, a qual dedica seu capítulo 18 à "Proteção da Qualidade e do Abastecimento dos Recursos Hídricos: Aplicação de Critérios Integrados no Desenvolvimento, Manejo e Uso dos Recursos Hídricos". Todavia, a Agenda 21 é um programa de ação, não contendo elementos em si, que configuram a formação de norma internacional obrigatória.

Ano: junho de 1992
Evento: Declaração do Rio - Rio de Janeiro / Brasil.
Destaque: Cristalizou princípios referentes à responsabilidade inter e intra gerações, a proteção dos recursos naturais no combate e controle da poluição, entre outros princípios. Em seu Preâmbulo, conclama a formação de novas e equilibradas parcerias globais, através da criação de novos níveis de cooperação entre os Estados e setores chaves da sociedade, como as ONG, entre outros, bem como a adoção de acordos que respeitem os interesses de todos, a integridade do meio ambiente global e o sistema de desenvolvimento.

Ano: 1994
Evento: Conferência Ministerial e de Diplomatas sobre Água Potável e Saneamento Ambiental - Nordwijk / Holanda.
Destaque: Adotou proposta da gestão integrada dos recursos hídricos. Mais tarde, no 8° Congresso da Associação Internacional de Recursos Hídricos, foi organizada sessão especial sobre o Conselho Mundial da Água.

Ano: novembro de 1994
Evento: Assembléia Geral da Associação Internacional dos Recursos Hídricos (IWRA) - Cairo / Egito.
Destaque: Realizada durante o Congresso do Cairo, decidiu criar o Conselho Mundial da Água. Portanto, entidade criada a partir da visão corporativa de profissionais da área de recursos hídricos, congregada na Associação Internacional de Recursos Hídricos, com forte participação de representantes dos diversos segmentos de mercado e apoiada por agências das Nações Unidas, e de países desenvolvidos.

Ano:
Evento: Davos / Suiça.
Destaque: O Conselho foi criado com o propósito de ser um "Grupo de Reflexão” (Think Tank) sobre Política Internacional da Água, que consideraria a criação de Fóruns Internacionais de Água, usando como modelo o "Fórum Econômico de Davos".

Ano: 1997
Evento: I Fórum Mundial da Água, em Marrakech / Marrocos.
Destaque:- Hospedado pelo Governo do Marrocos o Fórum contou com a presença de 500 participantes de 60 países e 23 organizações, entre as quais a própria ONU e de órgãos intergovernamentais, 15 associações científicas e de profissionais e representantes de governo, setor privado e ONGs. Na ocasião, o Conselho Mundial da Água, como consta na Declaração de Marrakech, foi incumbido de preparar trabalho intitulado,"Visão sobre a Água no Mundo, Vida e Meio Ambiente no Século XXI”. Também foram estabelecidas as bases para a criação da Comissão Mundial sobre a Água no Século XXI e Estrutura para Ação e a Parceria Global da Água.

Ano: junho de 1997
Evento: Assembléia Geral das Nações Unidas - Nova Iork / EUA.
Destaque:- Importante ressaltar que esta Assembléia considerou a água como a "maior prioridade" para as atividades da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CDS), durante o biênio 97/98.

Ano: março de 1998
Evento: Conferência Internacional sobre Água e Desenvolvimento Sustentável - Paris / França.
Destaque: Por ocasião desta Conferência, sob os auspícios do governo francês, foi elaborado o documento "Water in the 21st Century" (Água para o Século XXI), pelo Conselho Mundial da Água.

Ano: 2000
Evento: II Fórum Mundial da Água - Haia / Holanda.
Destaque: Contou com cerca de 6000 participantes, de todas as partes do mundo. O Brasil esteve presente, mas sua participação não foi equivalente à sua importância estratégica quanto aos recursos hídricos. Ressalve-se a posição firme do País, apoiado por Costa Rica, Paraguai e Uruguai, exigindo que a questão da água fosse discutida exclusivamente e segundo os procedimentos das Nações Unidas. As conclusões do II Fórum Mundial da Água, fortemente marcadas pelo espírito e linguagem do mercado, foram balanceadas graças à posição do Brasil.

Ano: setembro de 2000
Evento: Declaração da Cúpula do Milênio.
Destaque: Realizada durante a 55ª Sessão das Nações Unidas, a questão dos recursos hídricos está referida em especial quanto à universalização dos serviços de saneamento e água potável, com metas para 2015, ligada ao tema-chave da Cúpula, a erradicação da pobreza. Nessa mesma Declaração, a ONU determinou a reforma de sua estrutura, chamando grupos, como as ONGs, as forças de mercado, entre outros, para participarem desse esforço. Esse é um ponto importante que passa a ter reflexos nas relações e práticas internacionais, pois indica a quebra da exclusividade dos Estados e dos Organismos Internacionais enquanto únicos atores da cena mundial e, conseqüentemente, das regras de direito e práticas internacionais.

Ano: setembro de 2001
Evento: IV Dialogo Interamericano de Recursos Hídricos - Foz do Iguaçu / Brasil.
Destaque: Nos trabalhos preparatórios para a Cúpula do Desenvolvimento Sustentável, entre tantos eventos relativos à gestão das águas, o Diálogo realizado em Foz do Iguaçu, teve como tema “Em buscas de soluções”, quando abordou as seguintes questões 1- Interdependências transfronteiriças e segurança ambiental; 2- Anomalias climáticas, mudanças globais e redução de vulnerabilidade de acidentes naturais; 3- Gerenciamento integrado de recursos hídricos; 4- Megacidades e gerenciamento de seus recursos hídricos. Valoração econômica de água e políticas de águas; 6- Participação pública, alternativas para disputas de conflitos e prevenção de conflitos; 7-Gerenciamento costeiro; 8-Fortalecimento e mobilização institucional; 9-Governabilidade e políticas para recursos hídricos; Água e saúde; 10- Terras úmidas e outros ambientes sensíveis; Gênero e Recursos Hídricos; 11- Gerenciamento de recursos hídricos em regiões áridas e semi-áridas e 12- Educação Ambiental.

Ano: dezembro de 2001
Evento: Conferência de Bonn sobre Água Potável / Alemanha.
Destaque: Conhecida como Dublin+10, realizada sob o patrocínio do Governo Alemão, introduziu o Diálogo Múltiplo entre Tomadores de Decisão, do qual participaram, além dos estados e organismos internacionais, as ONGs, academias, sindicatos, setor de negócios, povos indígenas, governos locais e o gênero humano. A Conferência foi precedida de consulta pública, realizada em nível mundial, graças aos recursos da internet. A Declaração de Bonn consolida, ainda, o princípio de não condicionar a processo de privatização dos serviços públicos, investimentos e financiamentos para projetos de fornecimento de água potável e saneamento.

Ano: fevereiro de 2002
Evento: II Fórum Mundial Social e o Seminário Preparatório “Um Mundo Sustentável é Possível” - Porto Alegre / Brasil.
Destaque: Realizado em Porto Alegre, onde as questões essenciais para a proteção dos recursos hídricos foram discutidas.(17)

Ano: abril de 2002
Evento: “Dialogo entre Tomadores de Decisão sobre Gestão Sustentável da Água - prioridades para estruturas políticas e melhores práticas” - Ruschlikon / Suíça.
Destaque: Realizado em Ruschlikon, a plataforma apresentada pelas ONGs tem foco na bacia hidrográfica, na proteção dos vulneráveis para acesso à água, respeitados os limites vitais, por ser o acesso à água um direito humano, e a indicação de sete passos com respeito à parceria entre os setores público e privado, quais sejam: transparência e controle democrático, aumento do acesso, em especial para os pobres aos serviços de água, melhor qualidade da água e confiabilidade no suprimento, sustentabilidade ecológica e social, eficiência; órgão colegiado regulatório forte e independente e balanço dos riscos. Propôs, ainda, uma convenção internacional sobre água potável.

Ano: Final do Século 19:
Destaque: O uso dos recursos hídricos no Brasil começou a tomar corpo a partir do final do século XIX, com o surgimento e consolidação da demanda de energia elétrica.

Ano: 1934
Evento: Código das Águas
Destaque: As atribuições e competências sobre recursos hídricos eram afetas ao Ministério da Agricultura (MA). Refletia assim a prioridade dos recursos hídricos do país, uma vocação agrícola.


Ano: A partir da década de 50
Destaque: As competências encontraram nicho específico no âmbito do setor elétrico, no Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), órgão de administração direta do Ministério das Minas e Energia (MME), responsável por uma estratégia governamental voltada a infra-estrutura dos parques industriais.

Ano: 1963
Destaque: Inicia-se a experiência com Bacias Hidrográficas no Brasil, com os primeiros Planos de Desenvolvimento de Bacias Hidrográficas no Nordeste brasileiro, realizado pela SUDENE, com a cooperação técnica dos franceses. No ano seguinte, os franceses aprovavam a sua lei nacional de gerenciamento da água, criando o hoje famoso e copiado sistema de Agências de Bacia.

Ano: 19 de outubro de 1977
Destaque: com a organização da ABRH – Associação Brasileira de Recursos Hídricos, os estudos e debates sobre a institucionalização do Gerenciamento dos Recursos Hídricos se aceleraram.

Ano: 13 de novembro de 1987
Evento: VII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos e Hidrologia
Destaque: Carta de Salvador, emanada das discussões no Simpósio, apontava-se à necessidade de institucionalização do Sistema Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, com a participação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, divulgando a sociedade brasileira os fundamentos básicos sob os quais a gestão de recursos hídricos deve ser implantada, com a esperança de contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país se faça em harmonia com o uso racional e a conservação dos recursos hídricos.

Ano: 1989
Evento: VIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
Destaque: Carta de Foz do Iguaçu, aprovada em Assembléia Geral Ordinária realizada em 30 de novembro de 1989, em Foz do Iguaçu, na seção de encerramento do Simpósio, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos divulga a sociedade brasileira os princípios e diretrizes do gerenciamento dos recursos hídricos.
Destaque: Os Comitês de Estudos Integrados, nos anos 70, os Consórcios Intermunicipais nos anos 80 e os Comitês de Gerenciamento nos anos 90, são as respostas às políticas Estaduais de Recursos Hídricos.

Ano: 1991
Evento: IX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
Destaque: Carta do Rio de Janeiro - Aprovada em Assembléia Geral Ordinária realizada em 14 de novembro de 1991, durante a seção de encerramento do Simpósio, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos divulga a sociedade brasileira que são indispensáveis o planejamento e gestão integrados, considerando as peculiaridades regionais.

Ano: 1991
Destaque: Inicia-se no país um processo dinâmico de debates, estudos e intervenções sobre gestão de recursos hídricos. Esse processo deu origem ao Projeto de lei nº 2.249, encaminhado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional em 14 de novembro de 1991. Esse projeto introduz princípios, objetivos e instrumentos para uma moderna gestão da água.

Ano: 1993
Evento: X Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos
Destaque: Carta de Gramado, aprovada em Assembléia Geral Ordinária realizada em 11 de novembro de 1993, em Gramado, na seção de encerramento do Simpósio, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos com seu corpo associativo, contribua expressivamente para a formulação de uma política de desenvolvimento científico, tecnológico e de capacitação de recursos humanos na área de recursos hídricos.

Ano: 1995
Destaque: A responsabilidade simultânea pela política de geração de energia elétrica e pela administração/gestão de recursos hídricos por parte do setor elétrico perdurou até 1995, quando foi criado espaço administrativo específico no âmbito do Ministério do Meio Ambiente (MMA), na forma de uma Secretaria de Recursos Hídricos (SRH).

Ano: 1985
Evento: Criação do Conselho Estadual dos Recursos Hídricos (CERH)
Destaque: O processo de gerenciamento dos Recursos Hídricos no Estado de Santa Catarina mobilizou-se a partir das grandes enchentes de 1983 e 1984 no estado, principalmente no vale do Itajaí, com isso criou-se o CERH , como órgão de deliberação coletiva, vinculado ao Gabinete de Planejamento e Coordenação Geral.

Ano: No período de 1985 e 1992
Destaque: O CERH promoveu estudos de implantação de Gerenciamento de Recursos Hídricos, só que na forma setorizada de algumas bacias hidrográficas, ou seja, através de órgãos como a CASAN, Secretarias do Meio Ambiente, entre outros.

Ano: setembro de 1987
Destaque: Completam os estudo de viabilidade para construção da Usina Hidrelétrica de Campos Novos.

Ano: 1992
Destaque: Criou-se a 1ª Gerência de Recursos Hídricos, onde juntamente com o CERH, iniciaram estudos para formação de uma Política Estadual de Recursos Hídricos (PERH).

Ano: 1993
Destaque: Fica instituído pela Lei Estadual nº 9.022/93, o Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, com o objetivo de implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos e a formulação, atualização e aplicação do Plano Estadual dos Recursos Hídricos, congregando a sociedade civil, órgãos e entidades estaduais e municipais intervenientes no planejamento e no gerenciamento dos Recursos Hídricos.

Ano: 1994
Destaque: Foi criada a Política Estadual dos Recursos Hídricos (PERH), pela Lei Estadual nº 9.748/94 como instrumento de utilização racional da água compatibilizada com a preservação do meio ambiente. E com isso, começou a implantação de Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas e outros projetos foram elaborados no estado, como macrozoneamentos e ocupação de solos.

Destaque: Atualmente está sendo desenvolvido o 1º Plano de Bacias Hidrográficas, que será o “Plano Integrado da Bacia Hidrográfica do Tubarão e complexo Lagunar”, e ainda o processo de regulamentação onde deverão ser implementados os instrumentos do uso da água no estado como: outorga, cobrança pelo uso da água, enquadramento dos cursos d’água e sistema de informação.

Ano: 2000
Evento: Assinado o Protocolo de Intenções visando a elaboração da Agenda 21 Catarinense
Destaque: Assinado no dia 05 de julho, com o objetivo de oferecer diretrizes para o crescimento do Estado de Santa Catarina, visando o desenvolvimento que, além de aumentar as ofertas de bens e serviços, possa satisfazer as necessidades de grande parte da população, com baixos custos ambientais, alcançando principalmente as áreas sociais e culturais.

Ano: 2000
Evento: Criação da Comissão Executiva da Agenda 21 Catarinense
Destaque: Criada no dia 06 julho. Composta por 14 instituições, sendo 4 do terceiro setor, 2 do setor privado, 3 do setor público direto, 4 do setor público indireto e a Universidade Federal de Santa Catarina.

Ano: 2000
Evento: Constituída a Comissão Executiva AmpliadaDestaque: Foi constituída em 05 de outubro de 2000, com 34 instituições, das quais 27 estarão coordenando diretamente os trabalhos de pesquisa e composição dos diversos assuntos da Agenda 21 Catarinense. Destaque: Atualmente no Estado de Santa Catarina estão em funcionamento os seguintes Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas, em processo de mobilização ou a ser lançados, além dos consórcios intermunicipais, segundo sua data de criação:

- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí (12/03/1998);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriu (29/04/1998);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão (14/10/1997);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão (06/09/2001);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão - Norte (23/11/1998);
- Comitê de Gerenciamento da Lagoa da Conceição (20/11/2000);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe (10/08/2001);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu (05/09/2001);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tijucas (05/09/2001);
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Canoas (05/09/2001;
- Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá (12/12/2001);
- Pró Comitê Rio Mampituba (em processo de mobilização);
- Pró Comitê Rio Iguaçu (em processo de mobilização);
- Pró Comitê Rio Jacutinga (em processo de mobilização);
- Consórcio Intermunicipal de Gestão Ambiental Participativa do Alto Uruguai Catarinense – Consórcio Quiriri;
- Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Canoinhas – Consórcio Bem-te-vi;
- Consórcio Intermunicipal de Gestão Ambiental Participativa do Alto Uruguai Catarinense - Consórcio Lambari.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ar-condicionado ecológico

Morar em uma casa verde e usar a tecnologia como aliada na preservação dos recursos naturais. Foi esse o sonho que o engenheiro Sérgio Cordeiro cultivou durante anos. Quando resolveu se casar com a arquiteta Consuelo Jorge, a idéia saiu do papel. Planejar tudo foi mais trabalhoso do que pôr a casa em pé. "Passamos mais de um ano pensando no projeto e foram dez meses de obra", conta Sérgio.
Logo na entrada fica a parte mais visível do projeto, que transformou a água na alma da casa. Uma cascata ajuda a resfriar chapas de aço. Por trás, corre uma tubulação que leva para dentro da sala ar fresco e úmido. É um ar-condicionado ecológico, que reduz a temperatura da casa em até 5 graus Centígrados. E o melhor: tudo é feito com água da chuva.
Este é só um dos mecanismos que permitem o uso mais inteligente da água. Para o casal, o líquido que deixa as roupas mais limpas e que escorre pelos chuveiros e pelas pias de cada banheiro é precioso demais – não pode simplesmente escapar pelo ralo. A água é sempre reaproveitada.
"Toda água vai para um reservatório, é filtrada, recebe um tratamento adequado e é bombeada para cima, onde é reutilizada na bacia sanitária", explica Consuelo.
O cérebro que comanda a operação ecológica fica escondido no quintal, em um emaranhado de canos e caixas d'água. Mas Sérgio não se perde no labirinto. "A água, após o uso no chuveiro e lavatório, passa por dois filtros que ficam enterrados", conta.
A filtragem é para retirar os resíduos de sabão em pó, xampu e sabonete. Depois, a água é bombeada para uma caixa d'água exclusiva, que abastece todos os vasos sanitários da casa. Mas o reservatório maior, fechado com uma tampa branca, armazena água de chuva, para ser usada na irrigação do jardim, na cascata, na lavagem do quintal e de toda a área externa. Com isso, a conta da água caiu em 40%. E Sérgio não precisa fazer força para manter a caixa sempre abastecida.
"Em dias de chuva de verão, aquelas bem fortes, que duram em torno de 40 minutos, são colocados 20 mil litros d'água dentro da caixa. Uma única chuva enche totalmente a caixa. Essa água dura mais ou menos 25 dias", diz ele.
Olhando de fora, não parece uma solução ao alcance de todo mundo, mas Sérgio garante que há projetos para todo tipo de bolso. "Pode-se colocar uma caixa d'água próxima a um condutor que vem do telhado. Com um pouco de cloro, a água pode ser utilizada com uma bomba", diz o arquiteto.
A água da chuva também foi uma preocupação na hora de planejar um condomínio em São Paulo. Uma lei recente obriga a construção de reservatórios para conter a água da chuva. A medida é para evitar enchentes, mas os engenheiros resolveram dar um passo a mais.
"A lei nos obriga a captar uma hora ininterrupta de chuva. Depois, podemos lançar a água nas ruas. Preferimos reaproveitar a água, ou seja, ela é bombeada para uma caixa elevada e, uma vez armazenada, é utilizada em torneiras espalhadas pelas residências", explica o engenheiro Alberto du Plassis Filho.
E o sistema, para cada morador, não saiu tão caro: menos de 0,5% do valor da casa. As torneiras com água da chuva são marcadas com uma canopla verde. Um alerta para que a água da chuva não seja usada no consumo humano.
A economia não é a única satisfação dos moradores, que já aproveitam a novidade. "Não devemos esperar só das autoridades o planejamento para o uso correto da utilização da água, da luz. Acho que nós também temos que fazer a nossa parte", comenta a produtora Desirreè Sposito de Carvalho
A Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, já oferece água de reúso para os consumidores. Ela custa um terço do preço da água tratada, que normalmente chega às torneiras, não pode ser bebida nem usada na cozinha ou na higiene pessoal. Quem compra, basicamente, são as prefeituras para lavagem de ruas e praças e para limpar toda a sujeira deixada pelas feiras-livres.
É em tanques que a Sabesp transforma esgoto em água de reúso. Por mês, são produzidos 20 milhões de litros. A companhia poderia multiplicar por quatro o fornecimento, mas aí seria preciso construir uma rede de distribuição só para essa água reaproveitada, o que custaria caro demais.
Por isso, dizem os técnicos, a saída é fazer o reaproveitamento da água diretamente nos locais onde há grande concentração de gente, como aeroportos, escolas, prédios comerciais e empresas.
O professor Ivanildo Hespanhol, da Universidade de São Paulo (USP), é especialista em reúso de água. Ele acredita que o brasileiro precisa mudar a relação com esse bem que vai se tornar cada vez mais escasso. É necessário acabar com a cultura da abundância. Muitas empresas já perceberam isso.
"Há dez anos, a indústria não se preocupava com a água. A água era abundante, não tinha custo. Grande parte das indústrias não sabe nem onde usa água. Elas vão ter que começar a setorizar o consumo: ver onde gastam a água e depois tentar economizar", comenta o professor.
Uma indústria de pequeno porte em São Paulo já fez as contas: reutilizar água faz bem para o bolso. É uma fábrica de semicondutores – peças ultra-sensíveis, produzidas a partir do silício.
"O material chega cinza e é preciso água para todo processo químico de transformação. É uma purificação do silício, que começa com uma limpeza, que consome um monte de água", explica o gerente de produção Eduardo Marzano.
Antes, a água usada na limpeza do silício era simplesmente descartada. A empresa hoje consome dez vezes menos porque reaproveita a água.
"A água usada para limpar o silício passa de um tanque maior para outro, onde é feito o tratamento", conta Eduardo.
O tratamento é simples, feito por apenas um funcionário. No fim, uma lama branca é retirada da água que está pronta para voltar à fabrica, em outras fases da produção. Usando bem a água, a empresa economiza cerca de R$ 8 mil por mês.
"Nós, como empresa pequena, temos sempre a idéia de reduzir custos. E essa foi uma maneira de utilizar a água de uma forma mais inteligente e econômica", avalia Eduardo.

Reportagem acessada em:
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